sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

cap 1: Antes de partir

Seis e cinquenta da manhã. Cumbica, Guarulhos. Havia acordado às quatro da manhã, em Vinhedo, para ligar para a Viação Caprioli, em Campinas, para avisar que eu iria pegar o ônibus das quatro e meia da manhã para Cumbica. Bagagem em punho, meu pai me deu uma carona até o posto gasolina do Lago Azul, na Anhanguera, para esperar pelo ônibus. Ele chegou quase cinco da manhã, cheio, e lá fui eu para a primeira etapa da minha viagem. Viagem que, por pouco, não aconteceu.

Como disse no primeiro post, ir a Machu Picchu havia sido um sonho por vários anos de minha vida. Mas havia sempre algo a me "segurar" e me "impedir" de ir. Havia a questão financeira e os preços relativamente altos dos pacotes impressos nas revistas de viagem. Eu era casado, depois veio um filho pequeno... fatos da vida que nos fazem, por vezes, deixar os sonhos "esquecidos" para se concentrar em coisas mais práticas.


Mas não agora. Estava separado fisicamente da ex-esposa há anos. Mentalmente, o ponto final chegou um pouco mais tarde, mas finalmente chegou. O filho já estava com sete anos, enorme, "independente". A questão financeira, analisando melhor e esquecendo os pacotes das revistas, se mostrou não tão complicada assim. E, finalmente, a última barreira, a mental. Machu Picchu é um lugar real, não é um devaneio da imaginação ou uma civilização extraterrestre. Ela está lá, no topo dos Andes. Grosso modo, a única coisa que você deve fazer, se quiser ir até lá, é levantar e partir. Era chegada a hora.


A não ser que os trâmites burocráticos pudessem impedir. No final de 2008, viagem praticamente decidida na cabeça, surgiu uma dúvida: é necessário passaporte para viajar ao Perú? Se você por acaso está pensando em ir ao Perú e achou este blog no Google, deixe-me esclarecer uma coisa de uma vez por todas: NÃO é necessário passaporte para ir ao Perú. Repito: não é necessário. Mas aparentemente ninguém conseguia me dar uma resposta definitiva sobre isso. Meu passaporte estava vencido fazia alguns anos e, final de ano, a burocracia para tirar outro iria demorar demais. Em Campinas, onde trabalho, estavam agendando entrega de documentos apenas para o final de janeiro de 2009. Então me sugeriram tentar em Piracicaba, que estaria emitindo ainda o modelo antigo, teoricamente mais rápido, de passaporte. Preenchi os formulários pela internet e, mesmo lá, consegui agendar a entrega de documentos somente para o dia 5 de janeiro de 2009. Um site de mochileiros para onde enviei um email perguntando não me aconselhava viajar sem passaporte. O próprio consulado do Perú me dizia que o RG oficialmente podia ser suficiente, mas que na prática eu enfrentaria toda sorte de problemas.


Já havia praticamente desistido da viagem durante as festas de final de ano. Passou o Natal, o Ano Novo e eu já estava achando que passaria minhas férias em alguma praia mesmo. Até que em um fórum do orkut li o relato de uma garota que havia feito a mesma viagem que eu queria fazer apenas com RG. Enviei uma mensagem para ela, que me confirmou tudo. De repente, a viagem parecia novamente possível. Mas como teria no máximo quinze dias para realizá-la, resolvi deixar de lado meus planos mais aventureiros, que envolviam ir de ônibus até Corumbá, em uma viagem de 20 horas, para depois atravessar toda a Bolívia antes de chegar ao Perú e tentar encurtar um pouco as coisas por via aérea. Após muito fuçar na internet e conversar com o telemarketing da TAM, comprei uma passagem de avião que partiria de São Paulo dia 7 de janeiro até Lima, Perú. De lá eu faria a viagem contrária, por terra, em direção ao Brasil. Mas como uma passagem só de ida custava praticamente o mesmo que uma de ida e volta, marquei a passagem de volta para o dia 22 de janeiro, partindo de Santa Cruz de La Sierra, Bolívia.


Dia 5 de janeiro, como já estava marcado, ainda fui a Piracicaba entregar os documentos para meu novo passaporte, que só ficaria pronto dia 13 de janeiro. Novamente houve desencontro de informações, mesmo na Polícia Federal, sobre a necessidade ou não de passaporte para entrar no Perú. O rapaz que me atendeu me disse que a Argentina até aceitava RG, mas ele teria que ser bem recente, com no máximo cinco anos de emissão. Com a pulga atrás da orelha, resolvi ir ao Poupa Tempo de Campinas para tirar um RG novo em folha, o que me custou boa parte dos dias cinco e seis de janeiro.


Assim, dia sete de janeiro, com RG novo, sem passaporte e mochila nas costas, lá estava eu no Aeroporto de Cumbica.


(continua na próxima edição)

5 comentários:

Artur disse...

O mais interessante é que você já foi de má intenção, registrando tudo pelo caminho! Será que tem fotos do Capriolli? Hahahahahaha!
Tô gostando!
Agora, a pergunta que não quer calar... por que diabos seu crachá do "Nabis" faz parte da bagagem???
Abraço!
Artur

João Solimeo disse...

Hahahaha...olha, na verdade não sei porque demorou tanto pra cair a ficha que jornalismo tem minha cara. Não sabia que jornalista não viaja, faz sim faz cobertura?

Olha, do Caprioli da ida não, mas sou capaz de apostar (realmente não me lembro) que tenho foto do da volta!

Quando ao crachá...pôxa, vc viu ele ali? Hehe. Não serviu para absolutamente NADA, mas achei que poderia servir como uma segunda forma de identificação, se necessário. A explicação mais correta, na verdade, é que eu usei o cordão do crachá para prender minha câmera fotográfica...o crachá acabou embarcando junto.

Abraço...e em breve tem muito mais.

João Solimeo

F. Fachini disse...

poxa em
queriam colocar empecilhos nessa aventura!!
muito bom o blog
acho q vou fazer umas dessas,,tendo em vista q moro pertinho,,,só pular a divisa..rsrsrs divisa não do peru, mas depois sigo pra lá

feloz João

João Solimeo disse...

É, Fachini, é uma viagem bem interessante e relativamente barata, principalmente lá pros lados da Bolívia e Perú. De SC vc cruza para...a Argentina? Ou é mais fácil subir?

Abs

Caco disse...

Olá,

Caí no teu blogue via Google, quando tentei me informar se é necessário passaporte para ir ao Peru. Estou querendo ir pra lá em dezembro. Obrigado pela informação.

Abraço
MARCOS